29 de julho de 2006

De mãos vazias

Trago nos ombros o peso dos teus beijos
de canela, ruído e maçapão
e nada além do peso tenho desses beijos
incertos, confusos, voláteis
feitos de ausência e de recordação.

Mas chegas.
E apesar de tudo
dou um jeitinho e encosto-me
para te dar um espacinho na minha solidão.
É tudo quanto tenho para te dar.

E mostro-te
os ombros nus em carne viva dos teus beijos,
as mãos feitas areia e alvoroço
a segurarem em concha
a vontade de me abrir como uma flor,
e o medo
de que te vás alargando nesse espaço que te dei
e eu nessa solidão roubada que era minha
já não tenha lugar.

E explico-te
que a minha solidão sozinha a cavalo nos meus ombros
onde pousaste o peso dos teus beijos
é só o que possuo para dar a quem vier.
E tu vens de mãos vazias.

1 comentário:

Gato Preto disse...

Muito bonito e muito feminino, este poema. Também, acho que a coisa mais valiosa que temos para dar a quem vier, é a nossa solidão.