18 de outubro de 2005

Como uma bandeira antiga

Guardámos a história nos poemas antigos
e o tempo corroeu-lhes as palavras.
Hoje falta-nos o sonho e a esperança
e a vontade de gritarmos
para os fazer voltar.

Vamos apenas engordando o silêncio
até que se esborrache contra a fachada dos prédios.
Dantes tínhamos medo e cantávamos.
Mas perdemos a voz na resignação diária
e nas coisas pequenas.

Podíamos dar as mãos
mas os braços, cruzados há tanto tempo,
entorpeceram demais para o fazer.
Sobra-nos um país desde sempre a meia-haste
sacudido pelo vento
como uma bandeira antiga.

2 comentários:

Anónimo disse...

Ja ouvi antes recitado pela poetisa, mas lendo eu fez-me ainda mais sentido.
Esse poema enquadrasse em varias situacoes e sociedades mas definitivamente orientado pra nossa geracao passiva q nao toma uma atitude perante tanta injustica a todos os niveis, tanto nacional como mundial. Sera falta de ideais ou mesmo corrompidos pela propria sociedade?

Orlando Gilberto Castro disse...

Mais uma vez a inércia humana...
Mas cada vez mais me questiono. O que nos levaria a fazer, de facto, algo das nossas vidas?
Isto aplica-se também a mim, e infelizmente, suponho que a todos nós...
Por muito que acredite (e acredito) que serei diferente, a cada momento vivido penso que estamos mesmo perdidos...