<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420</id><updated>2012-02-16T22:29:15.502+01:00</updated><title type='text'>Quantos poemas tem a noite?</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>46</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-1153537428760734682</id><published>2010-03-02T17:46:00.004+01:00</published><updated>2010-03-03T21:06:18.420+01:00</updated><title type='text'>Palavra-chave</title><content type='html'>I&lt;br /&gt;Ele pergunta-me o que fiz, onde andei, o que tenho par contar. Somas. Lugares. Momentos. E eu não quero dizer: “Pedro, não sei”. Porque ele vai responder-me que o tempo também passa quando não gastamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;Somos um compêndio de palavras. Sabemos dizê-las e usá-las. Vendê-las quando é preciso. E às vezes dá-las apenas. Como um presente invisível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu sei fazer com as minhas mãos é muito pouco. E deveria conhecer muitas mais coisas. Saber muitas mais palavras. E o que significam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sei fazer conjuntos com as palavras que conheço. Arrumá-las como gavetas, ordenadas e lógicas. Conjugá-las e fazê-las condizer, como um &lt;em&gt;designer&lt;/em&gt; de moda às peças de roupa. Construir edifícios inteiros, com as palavras empilhadas como tijolos, certas e consistentes. E morar lá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos o que somos por causa das nossas palavras. E cada palavra nossa é um pedaço de vida que escrevemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(As que não dizemos em voz alta e que formam os nossos pensamentos. As que guardamos porque foram importantes (mesmo que a razão de ser já não o seja). As que usamos todos os dias, repetidas, gastas, socialmente aceites, obrigatórias. As que oferecemos, com um sorriso, um abraço, um toque no ombro ou um piscar de olhos -&amp;nbsp;as mais deliciosas. As que mentimos porque são fáceis e as que procuramos porque são verdade. As que escolhemos não dizer e ficam ali, a pairar-nos nos olhos e no silêncio.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;Quando ele me perguntar, hei-de dizer-lhe das palavras. Da minha soberba pelas que sei e da minha vergonha pelas que finjo saber. Das que atiro como pedras e das não dou porque não tenho tempo ou paciência. Das que gasto porque não digo, à espera de um momento que nunca sei qual é e nunca vem, desperdiçadas em mim -&amp;nbsp;as mais tristes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E hei-de dizer-lhe que as amei, a quase todas. E que morri a procurar as que melhor diziam a verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que isso baste para que ele me abra a porta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-1153537428760734682?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/1153537428760734682/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=1153537428760734682&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/1153537428760734682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/1153537428760734682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2010/03/palavra-chave.html' title='Palavra-chave'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-1105175697126640595</id><published>2009-11-25T05:01:00.004+01:00</published><updated>2009-12-10T21:05:01.796+01:00</updated><title type='text'>Penélope</title><content type='html'>Sou como toda a gente. Um somatório de candura e cicatrizes, esperança e desilusão. Coisas banais, medos e defeitos. Feita da costela de Adão, ADN e pó de estrelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho no sangue esta teimosia de ser árvore em vez de pássaro. De ficar. Mesmo quando chega o Inverno e os ninhos se abandonam nos galhos. Na dignidade inabalável das coisas imóveis. Ainda que no chão macio das folhas caídas hajam pés que pisam e mãos que recolhem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi a absorver a ausência e a preenchê-la de coisas supérfluas. A não ligar. A conhecer os sintomas do desassossego – dúvida, angústia, revolta – e deixá-los penetrar-me as narinas num cheiro forte a resina até se dissolverem na corrente sanguínea. A esperar sem desespero. Sem pressa. No tempo das árvores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também tenho dias tristes. E noites brancas de insónia, ansiedade e espaço a mais na cama. Mas tenho tardes mornas de flanela e chá com mel. Retalhos da manta de Penélope. E a certeza absoluta que tudo é volúvel. E mais vale estar quieta. Num (no) lugar certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, se te quiseres ir embora, lembra-te que tenho no sangue a seiva das árvores. E o hábito enraizado de não ceder às tempestades. E que aprendi o tempo e a impassibilidade das coisas que ficam mas sei pouco de jornadas. E de rotas. E de geografia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que mesmo que vás, eu fico. À espera. Do fim do Inverno e do regresso dos pássaros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-1105175697126640595?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/1105175697126640595/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=1105175697126640595&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/1105175697126640595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/1105175697126640595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2009/11/penelope.html' title='Penélope'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-1276230695901568396</id><published>2009-04-06T14:54:00.005+01:00</published><updated>2010-03-02T18:26:58.859+01:00</updated><title type='text'>Cantiga</title><content type='html'>Dou-te o riso e as sardas do rosto&lt;br /&gt;os meus gestos, os meus beijos&lt;br /&gt;o seu ritmo e o seu gosto.&lt;br /&gt;Dou-me inteira e aos pedaços&lt;br /&gt;os meus pés e os meus passos&lt;br /&gt;para que tracemos juntos&lt;br /&gt;em pegadas na areia&lt;br /&gt;um caminho partilhado.&lt;br /&gt;Tu navio. Eu sereia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dou-te o cargo, o ofício, o posto&lt;br /&gt;de meu dono e camarada&lt;br /&gt;e o ventre, o colo, o encosto&lt;br /&gt;e a minha pele salgada.&lt;br /&gt;Sei que é pouco para te dar&lt;br /&gt;(letras, falências e mágoa)&lt;br /&gt;mas queria ter-te a cantar.&lt;br /&gt;Tu meu universo de água.&lt;br /&gt;Eu tua estrela-do-mar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-1276230695901568396?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/1276230695901568396/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=1276230695901568396&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/1276230695901568396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/1276230695901568396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2009/04/cantiga.html' title='Cantiga'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-8540626124584284614</id><published>2009-03-16T11:39:00.008+01:00</published><updated>2009-03-25T17:09:46.330+01:00</updated><title type='text'>Ele elo ela</title><content type='html'>Há talvez um &lt;em&gt;tempo para as coisas&lt;/em&gt; e uma vontade de o ir apressando. Ou um desejo velado de estar &lt;em&gt;mais à frente&lt;/em&gt; e a incerteza inconfessa sobre o ritmo a seguir. Segredo e movimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(há entre ambos qualquer coisa&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;que não se vê&lt;/span&gt;.&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Ou vê-se entre eles&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;qualquer coisa&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;que não há)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;É um &lt;em&gt;chão de coisas quebradas&lt;/em&gt; e um tecto a cair. É o céu aberto. Sol luz aragem. E quatro pés descalços sobre &lt;em&gt;capim fresco e flores&lt;/em&gt;. Lugares. Impressões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(é a certeza do solo pisado – que é apenas &lt;span style="font-size:78%;"&gt;um&lt;/span&gt;. Por&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;muitos&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;que sejam os pontos de vista)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Um &lt;span style="font-size:78%;"&gt;faz&lt;/span&gt;-&lt;span style="font-size:85%;"&gt;de&lt;/span&gt;-conta. Um &lt;span style="font-size:78%;"&gt;conta&lt;/span&gt; quem &lt;span style="font-size:85%;"&gt;faz&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;E somam-se os passos. Caminhos e ligações.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-8540626124584284614?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/8540626124584284614/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=8540626124584284614&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/8540626124584284614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/8540626124584284614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2009/03/ligacoes.html' title='Ele elo ela'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-2237735148432317862</id><published>2008-10-11T18:20:00.005+01:00</published><updated>2008-10-13T21:57:03.862+01:00</updated><title type='text'>Prelúdio</title><content type='html'>Um dia destes digo-te&lt;br /&gt;que há nas tuas mãos propriedades químicas&lt;br /&gt;que me adubam a pele com poderosas especiarias&lt;br /&gt;e eu feita pasto e prado e plantio&lt;br /&gt;floresço irrigada de sémen e saliva&lt;br /&gt;e algo em mim desabrocha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que ambiciono beijar-te em lugares desconhecidos&lt;br /&gt;com nomes complicados&lt;br /&gt;onde a tua pele é odorífera&lt;br /&gt;e lamber-te os dedos até matar a fome&lt;br /&gt;alheia às lições de anatomia&lt;br /&gt;a encher de sede o teu umbigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E hei-de sussurrar-te confidências&lt;br /&gt;falar em simbiose e metafísica&lt;br /&gt;e talvez até contar-te&lt;br /&gt;que às vezes&lt;br /&gt;ao mordiscar-te o lóbulo da orelha&lt;br /&gt;rezo-te ao coração para que me leve&lt;br /&gt;por entre esses olhos de dilúvio&lt;br /&gt;dentro de uma arca de Noé.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-2237735148432317862?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/2237735148432317862/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=2237735148432317862&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/2237735148432317862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/2237735148432317862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2008/10/preldio.html' title='Prelúdio'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-6744975678055906851</id><published>2008-08-06T10:16:00.003+01:00</published><updated>2008-08-08T11:49:34.482+01:00</updated><title type='text'>(Re)capitulação</title><content type='html'>Sempre gostei de espaço. Do meu lugar. Redondo e sossegado (um berlinde no chão, um planeta no universo) a girar ao meu ritmo e à minha velocidade. Como gosto de tempo. O meu tempo. Quieto, circular, fraccionado em durações determinadas (o tempo de um cigarro, de uma música, de um programa de televisão).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A liberdade é, para mim, essa serenidade de estar placidamente no colo da alma. Longe de escolhas, actos e consequências, críticos e conselheiros, segredos e juízos de valor. Como passar a noite sozinho, no quarto de hotel de um país desconhecido, com o &lt;em&gt;do not disturb&lt;/em&gt; pendurado na porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entraste na minha vida sem me invadires o espaço, sem me cobrares que me encostasse um pouco para poderes caber, sem me obrigares a quebrar o silêncio e a povoá-lo de vozes estridentes e diálogos inúteis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Longínquo. Geograficamente inatingível. Sem qualquer transtorno ou consequência. O meu dia-a-dia a manter-se seguro e imutável. O teu também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pediste-me apenas que me sentasse junto ao teu silêncio e te desse a mão. Porque a morte tinha guardado em ti uma ausência mais profunda que qualquer palavra. Que ficasse perto &lt;em&gt;enquanto&lt;/em&gt; estivesses perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o amor veio, paulatino e simples, num engatinhar de criança. A esconder-se atrás de um beijo de “até manhã”. A espreguiçar-se ao acordar, entre a tua mão e o meu seio. A sorrir, divertido, quando imitávamos com ar semi-sério os guiões dos filmes (&lt;em&gt;i love you more&lt;/em&gt;). A adormecer no teu pescoço, por entre a confusão dos meus cabelos, depois de feito (no vão das tuas escadas, numa pensão barata, num carro emprestado, numa sala de cinema, no meio da rua).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre acreditei que me passasses. Quando te foste embora, tinha a certeza que depois da mágoa, da dor de corno e do orgulho ferido, da saudade e da solidão, viriam o sossego e a indiferença. E que outro qualquer ocuparia o teu lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque hoje entendo. Que um dia cresceste e eu não estava lá. Para te ver. Para aprender as mudanças, as novas circunstâncias, as razões, os sonhos e os objectivos. Que o teu amor tinha de pertencer a quem fizesse parte do teu mundo. E eu não fazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compreendo hoje que não tens culpa, que eu não tenho culpa, que ninguém tem. Mesmo se às vezes te culpo (pela falta de carácter, pela longa e demorada e amplamente extensa dissimulação). E me culpo (por não ser, por não ter sido, por não ter culpa).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São estas as palavras que tenho para te dizer e não te digo quando às vezes ligas e trocamos banalidades sobre coisas triviais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que se o mundo fosse redondo como a íris dos olhos, serias a luz. Toda e qualquer forma de iluminação. Da mais científica e eficaz fonte de energia ao brilho delicado de um simples pirilampo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que sem ti estou bem mas às escuras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que só tenho pena, muita pena, que não passes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-6744975678055906851?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/6744975678055906851/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=6744975678055906851&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/6744975678055906851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/6744975678055906851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2008/08/recapitulao.html' title='(Re)capitulação'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-5450424443586652430</id><published>2008-07-03T11:43:00.002+01:00</published><updated>2008-07-07T08:18:55.612+01:00</updated><title type='text'>Legado</title><content type='html'>Tinha sempre orgulho naquilo que eu escrevesse, por mais que lhe faltasse método ou poesia. Hoje nada me parece suficiente para lhe dar. Amava-me inteiramente e o que tenho para dizer nunca estará à altura de um amor assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ensinou-me a acreditar na palavra. A admirá-la. A respeitá-la. Porque sou feita de desapego, presunção e cobardia. E coisas pequenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras aprendidas permanecem em mim. Como os tesouros dos navios no fundo do mar. Encalhadas. Tudo o mais que sou eu é precário, instável, temporário. Momentos fragmentados a transitar no limbo de um presente que não pesa. Que é um cesto vazio que o ontem esgotou e que o amanhã há-de preencher. Uma consequência directa do facto de existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só as letras se me prendem às mãos por fios intrincados de marioneta. Simples e fáceis de seguir como um rasto de migalhas. Imprescindíveis como os homens que lutam toda a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explicou-me o amor pelas coisas verdadeiras. Como a poesia, a honra, a História. E a palavra irmão. E descubro que há lições que não esqueço: a arte de encostar a solidão à lombada de um livro, como quem apoia uma bengala à parede, e seguir devagarinho pelas páginas, liberta de ser eu por umas horas. Admirar mais quem dá, do que quem vende. Ver o lado bom. Acreditar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não tinha medida. Amava demasiado e sempre mais. As ideias e as pessoas e os ideais. Sem limites, nem regras. Irreflectido e cru.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim sobrou-lhe tempo. Um excesso de dias solitários que os gestos antigos não escoavam. O silêncio e a ausência. Ininterruptos, sufocantes e dolorosamente presentes. Eu nunca tinha tempo para o tempo que ele tinha. Ele importava-se mas não dizia nada. Ou contava uma piada. Ou desconversava. E sabíamos os dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se foi embora, sei que levava na alma a musicalidade do meu riso de criança. E o cheiro da terra. E que tinha os bolsos cheios de histórias e canções. E a boca tinta de vinho, conversas e alegria. E uns dedos em falta, de tanto moldar sonhos com as mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico. E todas as manhãs despertam em mim como uma aposta. Sem lhe dizer adeus ou desculpa ou obrigada. Que amar talvez seja isso: nunca dizer com a boca. Com as recordações e as palavras. Os restos da vida. O importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, às vezes, quando as frases que tenho não me bastam, vou à cabra-cega pelo quintal da memória, tentar agarrar com os braços estendidos um resquício da voz conhecida. E lembro-me, novamente, do caminho. É esse o seu legado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-5450424443586652430?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/5450424443586652430/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=5450424443586652430&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/5450424443586652430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/5450424443586652430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2008/07/legado.html' title='Legado'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-4141930625733790352</id><published>2008-05-23T17:47:00.004+01:00</published><updated>2008-05-27T09:36:01.930+01:00</updated><title type='text'>Mas</title><content type='html'>Haverá ainda algo que não te disse? Mudará alguma coisa se encontrar essas palavras e tas trouxer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devia despir o verbo (ficar perseverar sofrer esperar) e dar o que de mim ficasse a descoberto. Porque morro amanhã. E será um pecado e um desperdício entregar um terreno baldio onde nada se ergueu ou plantou. Um punhado de areia. Uma cerca. E o verbo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo inteiro diz-me que já não há palavras. E eu acredito. Mas. Mudaria alguma coisa se as houvesse?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-4141930625733790352?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/4141930625733790352/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=4141930625733790352&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/4141930625733790352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/4141930625733790352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2008/05/sem-ttulo.html' title='Mas'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-1685511431235507003</id><published>2008-04-10T16:47:00.001+01:00</published><updated>2009-12-14T21:39:43.953+01:00</updated><title type='text'>Better half</title><content type='html'>De repente as letras ficam turvas, os dedos perdem o gesto e algo em mim se dissipa. E só o coração permanece. A tentar decifrar no enevoado das páginas, com os seus olhos rasgados por punhais e cicatrizes, a fórmula mágica de um feitiço de amor. Um encantamento simples, sem pós de perlimpimpim ou poções milagrosas, que torne a fazer das letras as palavras perdidas e reponha nos meus dedos os gestos esquecidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez se o teu corpo fosse de barro e não de carne e osso, o meu pudesse ser feito de pele e matéria permeável. E o amor seria algo que faríamos, sem que fosse necessário invocá-lo por um qualquer ritual de sortilégios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas metade de mim ainda não está aqui. Metade de mim tem agora asas de pássaro e presas de lobo e escamas de peixe hermeticamente impenetráveis. E já não acredita em caras-metade e em “para sempre(s)”. O resto sou eu. A mastigar o medo e a derrota na tristeza calada dos dedos roídos. A escrever devaneios e saudades. Coisas que não existem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, quando vieres para me amar, não me tragas promessas. Porque é deste chão de promessas estilhaçadas que brota a cada dia o veneno acre da desolação. Espera apenas que eu adormeça. E grita para dentro dos meus sonhos que o meu corpo todo é uma planície e o teu coração um peregrino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que eu hei-de acordar com mãos de mulher e virtudes de feiticeira. Para te desenhar a pele com os gestos reencontrados de doçura e volúpia. E te sussurrar ao ouvido as palavras inteiras enfim desvendadas, como o mapa secreto de um tesouro escondido. Que o segredo do amor é ter quatro braços, quatro pernas, duas bocas, duas vozes, dois corações. O de ser ao dobro e não ao meio. E ser melhor assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-1685511431235507003?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/1685511431235507003/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=1685511431235507003&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/1685511431235507003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/1685511431235507003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2008/04/better-half.html' title='Better half'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-5694587947373751123</id><published>2008-02-26T17:21:00.006+01:00</published><updated>2008-02-27T15:11:11.470+01:00</updated><title type='text'>Uma história para contar</title><content type='html'>Invariavelmente retorno aqui. Comecei por vir à tua procura. Depois à nossa. Agora move-me somente a solidão constante de não me sentir melhor em nenhum outro lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho nas mãos apenas uma história, que monto e desmonto como um jogo de &lt;em&gt;leggos&lt;/em&gt;. Uma história que eu não queria ter para contar. Que fala de coisas tristes como a perda e de outras, mais tristes ainda, como a resignação. Eu queria contar uma história de amor. De um amor simples e fácil como as contas de somar e leve como um papagaio colorido de papel. Ao invés trago nos dedos as páginas desfolhadas da desilusão. Pouso-as aqui para que passem, não como um contágio mas como uma transfusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim regresso, sistematicamente. Com um ramo de flores nos braços e a determinação obstinada de não chorar. Mesmo quando o vento sopra todas as canções e as memórias, de mãos dadas, se põem a dançar à minha volta. Mesmo quando tenho de fechar os olhos com toda a força. Mesmo quando nada me alivia e tenho a alma às grades como uma gaiola vazia. Aprendi a ser também os meus fantasmas. E a voltar aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subo portanto sozinha a este palco de mármore e basto-me. E sofro porque me basto nesta quietude de túmulo entre o estar além da vida e o ainda andar por cá. Desapaixonadamente imune e indiferente. No desinteresse predador do vampiro a quem os outros só importam na medida em que constituam alimento. Um desapego que enfeitiça e subjuga e cativa como quem conquista territórios. Mas nunca aceito as oferendas que me colocam aos pés. O que não tiro, nego, que receber é como dar: uma forma de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E represento por esta história afora, sobre as lajes e os tectos dos mortos, dos vivos e dos assim-assim, os infelizes e os solitários. Os que perderam. Ariane, Teseu, o Minotauro e mais que todos os outros, numa solidão mais funda, mais arreigada, ingénita, o labirinto. De pedra e pó e passagens sem destino. Deliberadamente intransponível, ondulante e indecifrável. Às mãos de Dédalo ou de Deus. Às minhas mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso não me procurem caminhos, que eu não posso passar. Chame-me o amor absoluto. Chame-me o poema mais triste. Chamem-me as promessas felizes, as esperanças e os amanhãs. Não os oiço. E não avanço. Algures entre o não querer e o não ser capaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é assim que invariavelmente me deixo estar aqui, placidamente atormentada. Por entre os meandros amargurados desta história sem enredo, sem personagens, sem desfecho. Uma história sobre já não se ter nada para contar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-5694587947373751123?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/5694587947373751123/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=5694587947373751123&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/5694587947373751123'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/5694587947373751123'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2008/02/uma-histria-para-contar.html' title='Uma história para contar'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-3513995527351125178</id><published>2007-12-31T12:20:00.000+01:00</published><updated>2008-01-03T17:05:09.424+01:00</updated><title type='text'>A um amor prometido</title><content type='html'>Devagar aproxima-te o sopro dos dias&lt;br /&gt;e as noites desvendam-te, despindo-te os traços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guio-te os passos pela rota dos sonhos&lt;br /&gt;construindo no peito, de volúpia e esperança,&lt;br /&gt;um ninho de folhas e de fé&lt;br /&gt;e de cabelos soltos como asas.&lt;br /&gt;E ensaio a voz para o teu nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Traz-me as flores que a vida te deitou no chão da alma&lt;br /&gt;e o olhar franco e o riso fácil&lt;br /&gt;e a força certa e digna das árvores antigas.&lt;br /&gt;E ensina-me a ser em vez de estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que eu tenho para te dar&lt;br /&gt;o céu lilás e púrpura dos anoiteceres serenos,&lt;br /&gt;as histórias secretas dos livros imaginários&lt;br /&gt;e a transparência labiríntica das palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E juntos descobriremos&lt;br /&gt;a Terra Prometida&lt;br /&gt;no toque da brisa no corpo do outro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-3513995527351125178?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/3513995527351125178/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=3513995527351125178&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/3513995527351125178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/3513995527351125178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2007/12/um-amor-prometido.html' title='A um amor prometido'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-2310952470707978801</id><published>2007-10-26T17:08:00.001+01:00</published><updated>2007-10-26T17:33:31.279+01:00</updated><title type='text'>Balanço</title><content type='html'>... e aqui estou. Virada para dentro como um botão de rosa. Passaram por mim as estações, os pretendentes, os dias e os acontecimentos. Às vezes à velocidade brutal das coisas arrastadas pelas enxurradas. Outras, numa placidez exasperante de lagoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi a pertencer à tua ausência e a encontrar nela o reconforto de me sentir entregue. Como chegar a casa. És, sempre foste, o meu país. Todas as noites me enrosco no aconchego conhecido das fronteiras do teu corpo e adormeço ao ritmo constante da minha solidão que devolveste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes espero que caias em ti (que é como quem diz, algures perto de mim). Outras penso nas portas fechadas que tranco todas as noites para que a vida não me entre pelos mais diversos orifícios. Penso se valerá a pena trancar-me assim; contigo, contra a tua vontade, num momento qualquer que já passou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas perdi a esperança no bolso de umas calças que deixaram de me servir. Como se a mão de um gigante rasgasse o céu de repente e eu, à janela, descobrisse que tudo o que observo – as nuvens, o sol, o recorte dos prédios – não passa de um cenário. Posso (tenho de) aceitar que a realidade seja afinal apenas uma tela pintada. Mas onde se guarda a certeza enraizada, profundamente entranhada, de que o céu existe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico aqui. A divagar-me em ti. A absorver-te. A desenhar-te em caracteres. À procura do timbre da tua voz por entre o ruído seco dos sonhos desfeitos pelo teu gesto insensato de menino do mundo. De me rasgar o céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas és o que importa. E fico, Penélope dos tempos modernos, a fazer e a desfazer palavras, à espera que um mar qualquer te devolva. Algum dia, algum deus trar-te-á de volta. E porque a vida é pequena demais, hei-de esperar-te com a alma que não tem morte nem pressa. Junto ao eco dos nomes. Na pureza genuína de sermos um do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até lá sigo por esta estrada mais longa que os caminhos. Gasta como as sandálias de Cristo. A deixar que a vida passe e que o presente arraste o passado pela frágil trela da determinação. Incerta e hesitante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que me esperam o colo e o consolo. A poesia das coisas simples. A origem da vida a contrair-se no meu sexo. O milagre do amor a crescer-me no ventre. Só por isso arranco à vontade cada passo, a ver-te atrás de mim sempre que olho para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque só eu estou aqui. Com os dedos gastos de prazer e a memória gasta de lembranças e o coração atulhado de palavras e de sonhos. Gastos também. A vida está lá fora, a bater-me à porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijo-te uma última vez onde não estás. Abraço-te com a força dos planetas. E tomo balanço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-2310952470707978801?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/2310952470707978801/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=2310952470707978801&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/2310952470707978801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/2310952470707978801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2007/10/balano.html' title='Balanço'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-1168617169545029457</id><published>2007-07-17T15:13:00.000+01:00</published><updated>2007-07-18T15:07:53.243+01:00</updated><title type='text'>Um estranho instrumento</title><content type='html'>Pareço inteira, resignada, ilesa e sossegada&lt;br /&gt;e não passo de um ilusionista&lt;br /&gt;serrado ao meio no centro de um palco.&lt;br /&gt;Um pequeno truque de magia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E danço no riso dos outros,&lt;br /&gt;enleada à sua voz e aos seus movimentos,&lt;br /&gt;banal como o nascer do dia&lt;br /&gt;a erguer-se ligeiro no cimo dos prédios.&lt;br /&gt;Uma parte de um todo.&lt;br /&gt;Um naco, um pedaço, uma fatia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trago um buraco no ventre da alma,&lt;br /&gt;fundo como uma cova,&lt;br /&gt;onde conservo a queda e a vertigem&lt;br /&gt;e a essência mesma da fractura.&lt;br /&gt;Do despedaçamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E permaneço&lt;br /&gt;à beira do penhasco&lt;br /&gt;imperturbavelmente vertical.&lt;br /&gt;Como uma estátua de pedra&lt;br /&gt;que o mínimo gesto quebraria.&lt;br /&gt;Sem passos nos meus pés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando vieres,&lt;br /&gt;se não tivermos medo,&lt;br /&gt;talvez te mostre&lt;br /&gt;este abismo de onde vêm as palavras&lt;br /&gt;e me ensines a atravessá-lo sem cair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até lá remanesço&lt;br /&gt;aparentemente inteira e intacta e conciliada&lt;br /&gt;a consumir o vazio&lt;br /&gt;e a fabricar palavras&lt;br /&gt;como um estranho instrumento avariado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-1168617169545029457?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/1168617169545029457/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=1168617169545029457&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/1168617169545029457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/1168617169545029457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2007/07/um-estranho-instrumento.html' title='Um estranho instrumento'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-117154936061483706</id><published>2007-02-15T15:19:00.000+01:00</published><updated>2007-02-21T18:49:46.950+01:00</updated><title type='text'>Partilha</title><content type='html'>No final, feitas as contas, eu fico com a razão. E tu ficas com tudo o resto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-117154936061483706?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/117154936061483706/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=117154936061483706&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/117154936061483706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/117154936061483706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2007/02/partilha.html' title='Partilha'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-117100661825826091</id><published>2007-02-09T08:17:00.000+01:00</published><updated>2007-02-09T08:36:58.280+01:00</updated><title type='text'>Hoje...</title><content type='html'>Hoje entrego as armas e as letras das canções&lt;br /&gt;e deixo-me abrir como janelas&lt;br /&gt;que os amigos têm braços de algodão e brisa&lt;br /&gt;e dedos como raios de sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã renasço.&lt;br /&gt;Não das cinzas como a fénix&lt;br /&gt;mas num pequeno ovo de andorinha.&lt;br /&gt;E será finalmente Primavera.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-117100661825826091?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/117100661825826091/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=117100661825826091&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/117100661825826091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/117100661825826091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2007/02/hoje.html' title='Hoje...'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-116904095355854083</id><published>2007-01-17T14:12:00.001+01:00</published><updated>2008-07-09T11:19:53.428+01:00</updated><title type='text'>Contar as horas</title><content type='html'>Contar as horas. Cada hora que passa e nos afasta. Mesmo quando sei que as horas que nos afastaram realmente já passaram há muito e não as contei. Porque o faz-de-conta me bastava. O teu disfarce. A minha ilusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contar as horas, inimigas e aliadas, como um autómato. Entre movimentos repetidos, que cumpro como tarefas, e recordações. As que mais me magoam são as que mais vezes relembro. Aliadas e inimigas. Como as horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrar-te em cada hora. Mais. Atormentar-me. A tristeza a vir ao mesmo tempo de dentro como um cancro e de fora como uma invasão. Uma tristeza física, que me macera o corpo inteiro, me corrói por dentro e me queima a pele. As lágrimas que não choro a correrem-me nas veias aos gorgolões. As que choro a caírem-me no colo. O meu corpo inteiro, água, sal e minerais. Este corpo que guardei à tua espera e que já não sabe nada além de te esperar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A alma no chão. Esborrachada. Eu sem forças para a apanhar a deixá-la ficar, suja, destroçada, mendigante, à espera da tua mão para se levantar. A minha alma sem-abrigo, sem me caber no corpo, sem ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo me mata um pouco a cada minuto. A imensidão atroz da tua ausência, definitiva como a morte. A vergonha. A auto-comiseração. O peso insustentável da verdade, implacável, impiedosa, predadoramente feroz. A desilusão. A culpa. O ter de te deixar amar livremente, noutro amor que não o meu. O ter de. E sobretudo o teu amor feliz, fresco como as flores, carnal, intenso e leve. Que não me pertence.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia nos teus olhos um buraco fundo que o amor que me tinhas deixou quando se foi. A passar despercebido sob o manto invisível das mentiras, dos segredos, da sordidez misteriosa dos gestos calculados. Depois de desvendado fica apenas o buraco. Trago-o agora no peito, onde o coração bate como murros. O buraco de um amor que não existe a consolar o meu que, apesar de tudo, não consegue deixar de existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conto portanto as horas. Certas. Disciplinadas. Seguras. E recordo. A carregar este amor sem destino como um cadáver às costas. Sem saber onde o pousar. Ou como. Ou para quê. Carrego-o apenas. Nesta covardia esperançosa que me impede de me fazer coveiro e nesta vontade, autónoma de mim, de morrer com ele. E poder deixar de contar horas. E de me lembrar de ti.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-116904095355854083?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/116904095355854083/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=116904095355854083&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/116904095355854083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/116904095355854083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2007/01/contar-as-horas.html' title='Contar as horas'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-115842539587296276</id><published>2006-09-16T17:46:00.000+01:00</published><updated>2006-09-24T01:10:44.520+01:00</updated><title type='text'>(sem título)</title><content type='html'>Os teus olhos. Como o princípio e o fim de todas as coisas. De letras redondas e bem desenhadas sobre as linhas. As linhas por onde eu ando, à procura da palavra. A que morava lá e se apagou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os teus olhos que às vezes observo, escrevinhando neles correcções a vermelho em maiúsculas gigantescas. Letra de professora. A deixar recados e lembretes na margem, com a caneta manchada de tinta e ressentimento. E coisas que não passam. Como o nosso olhar, chumbado, reprovado, a repetir o ano. O nosso olhar que já não sabe a palavra, esquecida como uma lição mal estudada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda assim, nos teus olhos, quase tudo. Como uma biografia onde me leio o princípio e o fim. Os teus olhos onde as pupilas inchavam como um sexo e se prometiam todos os pecados e todas as delícias. Aliciantes e incumpridas como são as promessas. Que o tudo é como a verdade: grande demais para me caber na boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os teus olhos de maré que vem e de maré que vai. E de maré que foi e eu fiquei. Um barco na areia. Dois olhos. O horizonte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os teus olhos, graves como a voz, a enxugarem os meus. As minhas lágrimas como cobras enroladas num nó cego a entupirem-me a garganta e a envenenarem-me a alma. Lágrimas entrelaçadas como mãos dadas. Húmidas como corpos no suor desarrumado dos lençóis. Como a saliva dos teus beijos, o fervor das tuas mãos, a vontade molhada do meu sexo. No tempo em que o meu corpo era, aos teus olhos, pecados e delícias. O tempo das promessas. Da palavra. Da maré-cheia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu a deitar-me sobre as linhas, encostada à margem, longe do nosso olhar (que se perdeu) e da palavra (que se esqueceu). A deixar cair as pálpebras num desenrolar de persiana para prender as lágrimas entre as grades das pestanas. A contemplar-te os olhos antes de te os desimpedir. Para que te desprendas. Para que me despeça. Maré-vem, maré-vai. Entre este impulso animal de te farejar o cheiro e te lamber os dedos e te suspirar gemidos ao ouvido; e a vontade humana, conscienciosa, de fazer o que é certo. E justo. E recto. À imagem de Alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O princípio e o fim de todas as coisas. Um princípio. Um olhar que era nosso. A palavra. E um fim. Correcções a vermelho. Um barco na areia. Os teus olhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-115842539587296276?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/115842539587296276/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=115842539587296276&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/115842539587296276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/115842539587296276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2006/09/sem-ttulo.html' title='(sem título)'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-115414253857017048</id><published>2006-07-29T04:01:00.000+01:00</published><updated>2006-08-04T02:50:58.276+01:00</updated><title type='text'>Reina nos meus dias...</title><content type='html'>Reina nos meus dias a densidade surda dos espelhos&lt;br /&gt;na qual em cada dia se reflecte o outro.&lt;br /&gt;Nela me acho&lt;br /&gt;e perco&lt;br /&gt;e em mil reflexos sou&lt;br /&gt;e torno a ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ponho-me à janela a ver passar o tempo&lt;br /&gt;viscoso como as horas&lt;br /&gt;pegajoso e lento&lt;br /&gt;e tento&lt;br /&gt;comandar exércitos&lt;br /&gt;construir muralhas&lt;br /&gt;determinar os deuses e as leis&lt;br /&gt;que calem o silêncio dos meus pensamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nada vence o ser-se&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;além talvez do sonho.&lt;br /&gt;E eu sonho&lt;br /&gt;que um dia o verbo ser embata contra um espelho&lt;br /&gt;e se reparta, dividindo em mil pedaços&lt;br /&gt;mil possibilidades&lt;br /&gt;mil hipóteses de existência&lt;br /&gt;o ser-se o que se é que reina nos meus dias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-115414253857017048?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/115414253857017048/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=115414253857017048&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/115414253857017048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/115414253857017048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2006/07/reina-nos-meus-dias.html' title='Reina nos meus dias...'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-115414204906701375</id><published>2006-07-29T03:53:00.000+01:00</published><updated>2006-08-04T02:37:27.420+01:00</updated><title type='text'>De mãos vazias</title><content type='html'>Trago nos ombros o peso dos teus beijos&lt;br /&gt;de canela, ruído e maçapão&lt;br /&gt;e nada além do peso tenho desses beijos&lt;br /&gt;incertos, confusos, voláteis&lt;br /&gt;feitos de ausência e de recordação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas chegas.&lt;br /&gt;E apesar de tudo&lt;br /&gt;dou um jeitinho e encosto-me&lt;br /&gt;para te dar um espacinho na minha solidão.&lt;br /&gt;É tudo quanto tenho para te dar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mostro-te&lt;br /&gt;os ombros nus em carne viva dos teus beijos,&lt;br /&gt;as mãos feitas areia e alvoroço&lt;br /&gt;a segurarem em concha&lt;br /&gt;a vontade de me abrir como uma flor,&lt;br /&gt;e o medo&lt;br /&gt;de que te vás alargando nesse espaço que te dei&lt;br /&gt;e eu nessa solidão roubada que era minha&lt;br /&gt;já não tenha lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E explico-te&lt;br /&gt;que a minha solidão sozinha a cavalo nos meus ombros&lt;br /&gt;onde pousaste o peso dos teus beijos&lt;br /&gt;é só o que possuo para dar a quem vier.&lt;br /&gt;E tu vens de mãos vazias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-115414204906701375?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/115414204906701375/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=115414204906701375&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/115414204906701375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/115414204906701375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2006/07/de-mos-vazias.html' title='De mãos vazias'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-114878686792544258</id><published>2006-05-28T04:25:00.000+01:00</published><updated>2006-07-04T23:15:52.956+01:00</updated><title type='text'>Sem dedos</title><content type='html'>O mal do coração é não ter dedos.&lt;br /&gt;Se os tivesse, a mágoa não teria de passar pelo cérebro. Nem pelos olhos. Ser-te-ia entregue cada arranhão, cada nódoa-negra, cada amolgadura e eu não precisaria de ir à procura das palavras que me doem só para te poupar o esforço de as encontrares sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero-te por hábito, placidamente. Num mundo de instantes que faço permanecer, na falta de saber o que mais fazer com eles. Numa incerteza de esboço, mais que preparada e nunca pronta, como as viagens excessivamente planeadas. E se ainda acredito é porque aprendi a ver em ti para lá dos gestos, das palavras e dos resultados. A semente e não o fruto. Mas sobram-me demasiados momentos. Em que não te basto e não me chegas, que o mal do verbo dar são as armadilhas do termo retribuir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim adormeço nos teus braços esta noite. Fechada como uma caixa, onde tudo se guarda, se confunde, se esconde. Onde tudo fica mas nem tudo cabe.&lt;br /&gt;Acorda-me amanhã devagarinho. Quente e brando como um dia de Verão. E quando tiveres de abrir a tampa, fá-lo com cuidado porque terás de a abrir com mãos. Que o mal do coração é não ter dedos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-114878686792544258?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/114878686792544258/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=114878686792544258&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/114878686792544258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/114878686792544258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2006/05/sem-dedos.html' title='Sem dedos'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-114248910287244003</id><published>2006-03-16T06:52:00.000+01:00</published><updated>2006-03-16T07:05:02.883+01:00</updated><title type='text'>Como uma estrada</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;"&gt;E&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;le&lt;/span&gt; fala e finge e foge. E desvia-se. &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Atravessa&lt;/span&gt;-me como a uma estrada. A cortar caminho. Sem se preocupar com o sinais vermelhos. Sem os ver.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;E&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;u&lt;/span&gt; tenho a voz carregada de poeira e de alcatrão. E as palavras importantes soterradas sob o asfalto morno deste faz-de-conta. E multas por cobrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;D&lt;/span&gt;o lado esquerdo da via, em excesso de velocidade, vem um coração pesado de mercadorias que, numa guinada, quase o atropela. Só quase. Nem sequer o suficiente para o assustar. Que ele desvia-se sempre a tempo. E foge e finge e fala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo-me estar deitada, muito quieta. A estrada que ele atravessa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-114248910287244003?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/114248910287244003/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=114248910287244003&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/114248910287244003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/114248910287244003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2006/03/como-uma-estrada.html' title='Como uma estrada'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-113686144040755607</id><published>2006-01-10T03:46:00.000+01:00</published><updated>2006-01-18T14:36:23.420+01:00</updated><title type='text'>Somos</title><content type='html'>Somos como as plantas que se dão:&lt;br /&gt;um ramo arrancado à espera da terra&lt;br /&gt;a criar raízes num copo de água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos os que ficam, os que fazem figas,&lt;br /&gt;os que conservam os sonhos e nunca desistem,&lt;br /&gt;os que estoicamente aprenderam a esperar&lt;br /&gt;e se limitam a fazê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos o movimento de um evoluir inerte.&lt;br /&gt;Os que vão, sem fome,&lt;br /&gt;a trincar o tempo como se comessem&lt;br /&gt;desinteressadamente&lt;br /&gt;uma maçã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero-te com a força do hábito&lt;br /&gt;num desespero imperturbável&lt;br /&gt;meu como a morte e como a morte&lt;br /&gt;insuportavelmente paciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque sou dos que esperam,&lt;br /&gt;entre a maldição, o dom e o desperdício,&lt;br /&gt;nesta tristeza entediante&lt;br /&gt;de ir ancorando a vida&lt;br /&gt;com os meus próprios pés.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-113686144040755607?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/113686144040755607/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=113686144040755607&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/113686144040755607'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/113686144040755607'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2006/01/somos.html' title='Somos'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-113359539889393232</id><published>2005-12-03T08:23:00.000+01:00</published><updated>2006-04-26T00:01:02.653+01:00</updated><title type='text'>quase</title><content type='html'>E eu mais uma vez no mesmo sítio. Como andar ás voltas. Exactamente ali, nem um único milímetro mais á frente, no mesmo lugar. O meu lugar. Tão explorado e percorrido e exaustivamente analisado que eu julgava nunca mais ter de voltar. Mas volto. Vou. Fico. Incontornavelmente. Como ver o mundo pelos meus olhos. Ou senti-lo com o meu corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julgo que a culpa é do quase. Por não ser totalmente. Por desmaiar as cores dos quadros do meu cérebro até que eu já não as veja, descansada em tons pastel, e as acordar depois, num golpe assassino de pincel, dolorosamente vibrantes. Por se entranhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque há muito em mim que é quase. As coisas guardadas no limbo viscoso entre recordação e realidade. As mágoas de outros tempos quase ultrapassadas e o facto de quase não chorar pelas lágrimas que chorei quando ainda a mágoa não tinha quase passado. Os recomeços em que se deixam para trás promessas incumpridas e votos quebrados e quase se acredita numa nova primeira vez. A química avassaladora das sensações antigas, a vontade, a água na boca e o tornarmo-nos depois tão quase imunes ao seu apelo. As coisas de que quase não me lembro. Momentos, rostos, sabores, palavras. Trocas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque a verdade é que as coisas que passam permanecem. E não falo em cicatrizes da alma ou em marcas do coração. Porque essas só enfeiam, não aleijam. Falo das coisas que ficam. Do rasto. Do resto. Das moinhas. Falo dos lugares. Dos fantasmas que vencemos toda a vida e que a mesma vida inteira nos assustam. Dos desejos satisfeitos mas nunca saciados. Das respostas eternamente incompletas por muito que façamos a pergunta. Ou que deixemos de a fazer.&lt;br /&gt;O meu quase é a persistência das coisas a que renuncio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-113359539889393232?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/113359539889393232/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=113359539889393232&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/113359539889393232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/113359539889393232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2005/12/quase.html' title='quase'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-113123650147417708</id><published>2005-11-06T02:17:00.000+01:00</published><updated>2005-11-06T01:36:42.260+01:00</updated><title type='text'>Enigma</title><content type='html'>Quando me quiseres encontrar&lt;br /&gt;estou ali, no princípio da aliteração&lt;br /&gt;guardada como um segredo&lt;br /&gt;entre os versos sem rima&lt;br /&gt;e as rimas sem razão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e quando me quiseres&lt;br /&gt;não me aches, descobre-me&lt;br /&gt;que eu permaneço ali&lt;br /&gt;longa como um&lt;em&gt; l&lt;/em&gt; de tanto te esperar&lt;br /&gt;imóvel, entre o&lt;em&gt; a&lt;/em&gt; e o&lt;em&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;i&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;e quando me encontrares&lt;br /&gt;revelo-te o segredo,&lt;br /&gt;sussurrando-te ao ouvido&lt;br /&gt;num cintilar de brinco&lt;br /&gt;sílabas ao contrário&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e saberás onde tanto te esperei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-113123650147417708?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/113123650147417708/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=113123650147417708&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/113123650147417708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/113123650147417708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2005/11/enigma.html' title='Enigma'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-113072465436616924</id><published>2005-10-31T03:07:00.000+01:00</published><updated>2005-10-31T05:12:02.710+01:00</updated><title type='text'>Há tempos...</title><content type='html'>Há tempos reli os meus diários antigos.&lt;br /&gt;Descobri que com o passar dos anos não me tornei nem mais sábia, nem mais forte, nem sequer mais prudente. Estou apenas mais triste.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-113072465436616924?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/113072465436616924/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=113072465436616924&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/113072465436616924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/113072465436616924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2005/10/h-tempos.html' title='Há tempos...'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-112977740141738482</id><published>2005-10-18T08:01:00.000+01:00</published><updated>2005-10-29T06:01:28.493+01:00</updated><title type='text'>Pecado capital</title><content type='html'>&lt;span style="color:#000000;"&gt;Se eu não tivesse versos mas certezas&lt;br /&gt;e tu não fosses perpendicular aos meus desejos&lt;br /&gt;talvez não desenhasses com a língua&lt;br /&gt;estranhas circunferências nos meus beijos&lt;br /&gt;e as nossas vidas fossem paralelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu pudesse trocar o nome de cada rua&lt;br /&gt;sem deixar um caminho ou uma direcção&lt;br /&gt;talvez tu te perdesses do meu corpo&lt;br /&gt;e eu ficasse a salvo do ardor do teu orgasmo&lt;br /&gt;e da intensidade da sua convulsão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E talvez se eu fosse outra e cedesse sem luta&lt;br /&gt;e te intrigasse menos e te lambesse mais&lt;br /&gt;sumisses para sempre e levasses contigo&lt;br /&gt;o teu hálito nu e o meu pecado antigo&lt;br /&gt;transcrito num código de ondas vaginais.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-112977740141738482?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/112977740141738482/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=112977740141738482&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112977740141738482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112977740141738482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2005/10/pecado-capital_18.html' title='Pecado capital'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-112977726695628505</id><published>2005-10-18T07:59:00.000+01:00</published><updated>2005-10-20T04:01:06.956+01:00</updated><title type='text'>Como uma bandeira antiga</title><content type='html'>Guardámos a história nos poemas antigos&lt;br /&gt;e o tempo corroeu-lhes as palavras.&lt;br /&gt;Hoje falta-nos o sonho e a esperança&lt;br /&gt;e a vontade de gritarmos&lt;br /&gt;para os fazer voltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos apenas engordando o silêncio&lt;br /&gt;até que se esborrache contra a fachada dos prédios.&lt;br /&gt;Dantes tínhamos medo e cantávamos.&lt;br /&gt;Mas perdemos a voz na resignação diária&lt;br /&gt;e nas coisas pequenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podíamos dar as mãos&lt;br /&gt;mas os braços, cruzados há tanto tempo,&lt;br /&gt;entorpeceram demais para o fazer.&lt;br /&gt;Sobra-nos um país desde sempre a meia-haste&lt;br /&gt;sacudido pelo vento&lt;br /&gt;como uma bandeira antiga.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-112977726695628505?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/112977726695628505/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=112977726695628505&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112977726695628505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112977726695628505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2005/10/como-uma-bandeira-antiga_18.html' title='Como uma bandeira antiga'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-112961327483808549</id><published>2005-10-18T06:26:00.000+01:00</published><updated>2005-10-18T06:27:54.840+01:00</updated><title type='text'>Poema costurado</title><content type='html'>Somos roupa, amarrotada e rota&lt;br /&gt;de tanto nos amarmos em delícias de algodão.&lt;br /&gt;Só nos restam andrajos, palavras em fiapos,&lt;br /&gt;para cobrirmos de trapos o silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vamos assim, rasgando sorrisos,&lt;br /&gt;trocando cumprimentos, tecendo ninharias.&lt;br /&gt;Tão cheios de artifícios e frases bafientas&lt;br /&gt;e remendos e bolas de naftalina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(nós que nos vestimos, lavámos e sujámos com o corpo do outro)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto queria poder dizer-te o que te disse,&lt;br /&gt;desabotoar-te as palavras letra a letra&lt;br /&gt;e com dedos de cetim saber cerzir-me,&lt;br /&gt;coser-me, alinhavar-me para ainda te servir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vou apenas rendilhando versos&lt;br /&gt;na seda fria da tua ausência despida&lt;br /&gt;e pendurando ao vento as coisas que te calo&lt;br /&gt;neste estendal do tempo que é a vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-112961327483808549?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/112961327483808549/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=112961327483808549&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112961327483808549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112961327483808549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2005/10/poema-costurado_18.html' title='Poema costurado'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-112961193470708622</id><published>2005-10-18T05:52:00.000+01:00</published><updated>2005-11-11T04:44:51.490+01:00</updated><title type='text'>Piso descalça...</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;------------------&lt;/span&gt;Piso descalça&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;-------------&lt;/span&gt;este chão de estilhaços&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;-----------&lt;/span&gt;das promessas que quebrei&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;-------&lt;/span&gt;(sete anos de azar por cada espelho...)&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;-&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;tantas vezes me corto&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;------&lt;/span&gt;no amor em cacos&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;-----------&lt;/span&gt;reflectido&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;-----------------&lt;/span&gt;neste chão descalço&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;-------------------------&lt;/span&gt;do azar prometido&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-112961193470708622?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/112961193470708622/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=112961193470708622&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112961193470708622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112961193470708622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2005/10/piso-descala.html' title='Piso descalça...'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-112961111005903381</id><published>2005-10-18T05:47:00.000+01:00</published><updated>2005-10-18T05:51:50.060+01:00</updated><title type='text'>Olhos marinhos</title><content type='html'>Faz-me falta o teu corpo de papel&lt;br /&gt;onde eu escrevia poemas&lt;br /&gt;que eram só para ti.&lt;br /&gt;Ainda são só teus os meus poemas.&lt;br /&gt;Ainda é de papel o teu corpo.&lt;br /&gt;Mas já não escrevo lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz-me falta o teu ombro&lt;br /&gt;a abraçar-me as lágrimas&lt;br /&gt;de quando eu chorava e molhava-te as mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz-me falta a verdade do teu ronronar&lt;br /&gt;nos tempos em que era verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz-me falta o teu jeito de teres a certeza.&lt;br /&gt;Faz-me falta o meu riso.&lt;br /&gt;Faz-me falta a certeza de rir do teu riso&lt;br /&gt;e de rires do meu jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazem-me falta as nossas brincadeiras&lt;br /&gt;e os nomes que inventávamos&lt;br /&gt;e que eram apenas nossos.&lt;br /&gt;Ainda temos alegria para brincar.&lt;br /&gt;Ainda inventamos nomes.&lt;br /&gt;Mas já não acreditamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazem-me falta os teus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta falta que me fazes&lt;br /&gt;vem-me desse mundo inteiro dos teus olhos marinhos&lt;br /&gt;que eu ainda visito&lt;br /&gt;onde ainda me perco&lt;br /&gt;onde estão todos os poemas que já foram&lt;br /&gt;e todos os poemas que virão&lt;br /&gt;e onde já não moro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-112961111005903381?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/112961111005903381/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=112961111005903381&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112961111005903381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112961111005903381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2005/10/olhos-marinhos.html' title='Olhos marinhos'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-112961081401368243</id><published>2005-10-18T05:42:00.001+01:00</published><updated>2008-10-10T16:32:40.496+01:00</updated><title type='text'>A cadeira vazia</title><content type='html'>O dia vai entrar pela janela da frente&lt;br /&gt;silencioso como todas as manhãs&lt;br /&gt;e virá sem pressa&lt;br /&gt;atravessar a sala adormecida&lt;br /&gt;e sentar-se na cadeira vazia&lt;br /&gt;(a cadeira onde tu te sentavas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então farei o gesto repetido&lt;br /&gt;(que se repete no tempo&lt;br /&gt;como o nascer dos dias):&lt;br /&gt;pouso a caneta&lt;br /&gt;amarroto a folha&lt;br /&gt;e atiro-a ao chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim que morro a minha vida&lt;br /&gt;(esta vida de folhas atiradas&lt;br /&gt;ao chão para morrerem):&lt;br /&gt;a observar o dia na cadeira&lt;br /&gt;sentado no teu lugar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-112961081401368243?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/112961081401368243/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=112961081401368243&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112961081401368243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112961081401368243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2005/10/cadeira-vazia.html' title='A cadeira vazia'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-112961051051854751</id><published>2005-10-18T05:38:00.000+01:00</published><updated>2005-10-18T05:41:50.520+01:00</updated><title type='text'>Procuro esse amor...</title><content type='html'>Procuro esse amor que não me tens&lt;br /&gt;em todos os cantos de todas as casas&lt;br /&gt;em todas as esquinas de todas as ruas&lt;br /&gt;em cada lugar onde vou sem estar&lt;br /&gt;procurar-te apenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E encontro a nossa história numa canção qualquer&lt;br /&gt;como encontro a plenitude nos teus braços:&lt;br /&gt;para logo, num instante, a voltar a perder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dilaceram-me o silêncio e o espaço que sobra&lt;br /&gt;mas mais que a tua ausência&lt;br /&gt;dói-me que a tenhas escolhido&lt;br /&gt;como agora me magoam as palavras que te digo:&lt;br /&gt;comedidas, prudentes, cautelosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pesa-me o poema como um fardo&lt;br /&gt;de coisas que não foram&lt;br /&gt;e eu nem sei porquê...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-112961051051854751?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/112961051051854751/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=112961051051854751&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112961051051854751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112961051051854751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2005/10/procuro-esse-amor.html' title='Procuro esse amor...'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-112961029571732957</id><published>2005-10-18T05:35:00.000+01:00</published><updated>2005-10-18T05:38:15.716+01:00</updated><title type='text'>Confissão</title><content type='html'>Letra a letra vou odiando as palavras&lt;br /&gt;cada letra um pouco mais...&lt;br /&gt;Talvez no fim fiquem apenas&lt;br /&gt;o teclado empoeirado&lt;br /&gt;as folhas brancas&lt;br /&gt;a voz calada&lt;br /&gt;e eu feliz&lt;br /&gt;e livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;gente onde eram só conceitos&lt;br /&gt;gestos em vez de verbos&lt;br /&gt;e coerência&lt;br /&gt;e coisas simples.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simples.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonhos de toda a gente.&lt;br /&gt;uma casa, um emprego,&lt;br /&gt;um almoço de amigos,&lt;br /&gt;uma tarde chuvosa, um sofá e o colo de alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um amor banal.&lt;br /&gt;de coisas quotidianas&lt;br /&gt;momentos previsíveis&lt;br /&gt;e silêncios partilhados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aprender então, letra por letra&lt;br /&gt;amores insossos&lt;br /&gt;(alguém)&lt;br /&gt;existências alienadas&lt;br /&gt;(simples)&lt;br /&gt;e o silêncio…&lt;br /&gt;(livre)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-112961029571732957?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/112961029571732957/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=112961029571732957&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112961029571732957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112961029571732957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2005/10/confisso.html' title='Confissão'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-112961009917130233</id><published>2005-10-18T05:32:00.000+01:00</published><updated>2005-10-18T06:06:57.086+01:00</updated><title type='text'>Parto hoje...</title><content type='html'>Parto hoje à procura da certeza&lt;br /&gt;por caminhos tortuosos e imorais.&lt;br /&gt;Vou tentar o intentável, vou cair em tentação,&lt;br /&gt;vou amar cada passante sabendo que te amo&lt;br /&gt;para aprender que o amor é simples e és tu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixarei que o teu nome se perca.&lt;br /&gt;Vou pegar na lembrança, pô-la numa garrafa&lt;br /&gt;e atirá-la ao mar.&lt;br /&gt;Vou magoar-te e vou magoar-me&lt;br /&gt;e neste impulso egoísta e masoquista vou perder-me...&lt;br /&gt;até te encontrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Mas espera-me!&lt;br /&gt;por mais longos que sejam os caminhos&lt;br /&gt;eu regresso».&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-112961009917130233?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/112961009917130233/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=112961009917130233&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112961009917130233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112961009917130233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2005/10/parto-hoje.html' title='Parto hoje...'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-112960992263476696</id><published>2005-10-18T05:30:00.000+01:00</published><updated>2005-10-18T05:32:02.636+01:00</updated><title type='text'>Amor perfeito</title><content type='html'>Tens nas mãos serenas o gesto que me aquieta&lt;br /&gt;e na voz a canção que me alivia.&lt;br /&gt;És a minha paz possível, o sossego;&lt;br /&gt;quando tudo é desacorde e eu desafino&lt;br /&gt;no teu olhar tranquilo acho a calma&lt;br /&gt;e nos teus braços encontro a harmonia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os teus olhos de lagoa são o meu porto,&lt;br /&gt;a segurança, o reconforto.&lt;br /&gt;És o meu consolo e o meu caminho&lt;br /&gt;e é em ti que me escondo e é em ti que me encontro&lt;br /&gt;quando me beijas a boca cheia de lágrimas&lt;br /&gt;e me levas nos teus sonhos num sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guardas no teu silêncio mais palavras que um poema&lt;br /&gt;quando me embalas a alma com promessas mudas&lt;br /&gt;e lês no meu olhar o que não escrevo.&lt;br /&gt;És o meu rumo, o meu norte, o meu lugar,&lt;br /&gt;a luz do meu lado negro em desespero&lt;br /&gt;quando me abraças a ausência devagar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-112960992263476696?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/112960992263476696/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=112960992263476696&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112960992263476696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112960992263476696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2005/10/amor-perfeito.html' title='Amor perfeito'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-112960980061145460</id><published>2005-10-18T05:27:00.000+01:00</published><updated>2005-10-18T05:30:00.610+01:00</updated><title type='text'>Escondo-me em tudo...</title><content type='html'>Escondo-me em tudo para não me ver&lt;br /&gt;no espelho implacável da minha vergonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo me serve, me oculta, me encobre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um copo meio da metade vazia&lt;br /&gt;onde bebi o remorso diluído&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um sorriso rasgado com os dedos&lt;br /&gt;que rasgaram a alma que não queria sorrir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um olhar trémulo no chão pisado&lt;br /&gt;a fugir dos pés dos outros&lt;br /&gt;e dos seus olhos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Implacavelmente, como num espelho,&lt;br /&gt;em tudo me encontro com a minha vergonha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-112960980061145460?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/112960980061145460/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=112960980061145460&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112960980061145460'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112960980061145460'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2005/10/escondo-me-em-tudo.html' title='Escondo-me em tudo...'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-112960953690121286</id><published>2005-10-18T05:21:00.000+01:00</published><updated>2005-10-21T14:38:55.226+01:00</updated><title type='text'>Doçuras</title><content type='html'>Com esse jeitinho pacato&lt;br /&gt;e ar de quem não parte um prato&lt;br /&gt;vens jogar à sedução&lt;br /&gt;e eu vou dar-te um xeque-mate!&lt;br /&gt;Saboreia o meu prazer,&lt;br /&gt;mel, baunilha e limão&lt;br /&gt;que eu sou toda chocolate…&lt;br /&gt;O banquete está na mesa.&lt;br /&gt;Começa tu a comer&lt;br /&gt;que eu vou ter-te à sobremesa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vens suave, de mansinho,&lt;br /&gt;cobertura de ternura&lt;br /&gt;recheado de desejos...&lt;br /&gt;Vou trincar-te rebuçado!&lt;br /&gt;E entre gemidos e beijos&lt;br /&gt;e carícias e abraços&lt;br /&gt;vou levar-te ao pecado...&lt;br /&gt;Solta, leve, livre e louca&lt;br /&gt;vou possuir-te em pedaços&lt;br /&gt;e vais morrer na minha boca...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-112960953690121286?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/112960953690121286/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=112960953690121286&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112960953690121286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112960953690121286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2005/10/douras.html' title='Doçuras'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-112960926575412900</id><published>2005-10-18T05:19:00.000+01:00</published><updated>2005-10-18T06:08:01.703+01:00</updated><title type='text'>A voz de Deus</title><content type='html'>E eu fugisse para junto do Poema&lt;br /&gt;por uns tempos, por uma vida inteira&lt;br /&gt;até à beira-mar da praia ensolarada&lt;br /&gt;onde repousa Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E passeasse junto às ondas que se quebram&lt;br /&gt;rindo como o marulho do mar&lt;br /&gt;e fosse, correndo nessa praia,&lt;br /&gt;a criatura, a criação e a liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E me sentasse na areia molhada&lt;br /&gt;com a cabeça apoiada nos joelhos abraçados&lt;br /&gt;a ouvir muito mais que a voz do mar:&lt;br /&gt;a voz de Deus a ler-me o meu Poema.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-112960926575412900?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/112960926575412900/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=112960926575412900&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112960926575412900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112960926575412900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2005/10/voz-de-deus.html' title='A voz de Deus'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-112960915252907054</id><published>2005-10-18T05:17:00.000+01:00</published><updated>2005-10-18T05:19:12.530+01:00</updated><title type='text'>Quantas folhas brancas...</title><content type='html'>Quantas folhas brancas cantam o meu silêncio&lt;br /&gt;em que procuro as palavras e elas fogem&lt;br /&gt;escondendo-se entre linhas e entrelinhas&lt;br /&gt;num caos de sintaxe e de semântica&lt;br /&gt;que revolvo e que remexo&lt;br /&gt;semi-muda, semi-louca&lt;br /&gt;buscando frases que nunca chegam&lt;br /&gt;e repetindo outras que só calada sei dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tirânicas palavras que eu indago e que me mentem&lt;br /&gt;palavras moribundas, inventadas, descobertas&lt;br /&gt;palavras ocas ou balofas ou fora do contexto&lt;br /&gt;que misturo e desarrumo&lt;br /&gt;para fugir à tortura e escapar ao medo&lt;br /&gt;do silêncio branco que se esconde&lt;br /&gt;neste mundo de papel onde sou Deus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-112960915252907054?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/112960915252907054/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=112960915252907054&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112960915252907054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112960915252907054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2005/10/quantas-folhas-brancas.html' title='Quantas folhas brancas...'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-112960891664254504</id><published>2005-10-18T05:13:00.000+01:00</published><updated>2005-10-18T05:15:16.643+01:00</updated><title type='text'>Já não regresso...</title><content type='html'>Já não regresso à sordidez do teu encontro&lt;br /&gt;nem às trevas da luxúria no meu corpo;&lt;br /&gt;já não retorno à mágoa auto-inflingida&lt;br /&gt;e nem ao sonho&lt;br /&gt;e nem à espera&lt;br /&gt;e vou embora neste adeus sem despedida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sigo com os pássaros&lt;br /&gt;arrastando as asas, a honra e a vergonha&lt;br /&gt;e tropeçando ainda na saudade&lt;br /&gt;da tua presença incerta&lt;br /&gt;e do teu silêncio habilmente interrompido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por mais que me sangre a ferida aberta&lt;br /&gt;parto rumo à tua ausência absoluta&lt;br /&gt;no passo vacilante de quem foge&lt;br /&gt;que o vazio é o meu sossego e o meu castigo&lt;br /&gt;de te ter dado quase tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E só não te prometo não voltar&lt;br /&gt;para que saibas, desta vez,&lt;br /&gt;que eu já não volto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-112960891664254504?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/112960891664254504/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=112960891664254504&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112960891664254504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112960891664254504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2005/10/j-no-regresso.html' title='Já não regresso...'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-112960878752570154</id><published>2005-10-18T05:09:00.000+01:00</published><updated>2005-10-18T05:13:07.526+01:00</updated><title type='text'>Sem sono</title><content type='html'>Aqui deitada nesta cama onde Te espero&lt;br /&gt;embalo a vida que me deste sem saber&lt;br /&gt;que eu a carrego e a aprendo e não a quero&lt;br /&gt;que eu estou cansada, tão cansada de viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos braços negros do Teu silêncio pesado&lt;br /&gt;adormecem os meus sonhos que abandono&lt;br /&gt;sem crença no futuro, sem fé no passado,&lt;br /&gt;sem esperança no que espero… e sem sono.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-112960878752570154?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/112960878752570154/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=112960878752570154&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112960878752570154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112960878752570154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2005/10/sem-sono.html' title='Sem sono'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-112960855667846777</id><published>2005-10-18T03:06:00.001+01:00</published><updated>2008-10-10T16:37:54.270+01:00</updated><title type='text'>Fim de Verão</title><content type='html'>Sabe-me a mel o fim do Verão e a cerveja&lt;br /&gt;e nas horas caladas desta madrugada&lt;br /&gt;procuro as palavras nos cigarros acesos&lt;br /&gt;para contar à solidão o sabor do teu olhar&lt;br /&gt;– mas hoje não há palavras para mim&lt;br /&gt;nem poemas que te tragam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nesta madrugada de horas adormecidas&lt;br /&gt;em que a solidão calada me sorri&lt;br /&gt;perscruto as palavras acesas nos poemas&lt;br /&gt;que todavia não te trazem até mim…&lt;br /&gt;– tudo o que tenho deste Verão que termina&lt;br /&gt;é o sabor a mel e a cerveja.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-112960855667846777?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/112960855667846777/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=112960855667846777&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112960855667846777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112960855667846777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2005/10/fim-de-vero.html' title='Fim de Verão'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-112960033584090979</id><published>2005-10-18T01:09:00.000+01:00</published><updated>2005-10-18T02:52:15.866+01:00</updated><title type='text'>Quando eu morrer...</title><content type='html'>Quando eu morrer talvez&lt;br /&gt;passem os passantes com a mesma pressa&lt;br /&gt;fira o sol com o mesmo raio a mesma pedra&lt;br /&gt;e me ames ainda como na primeira vez&lt;br /&gt;sofregamente nessa maneira tão tua&lt;br /&gt;de me vestires de beijos na nudez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez, quando eu morrer&lt;br /&gt;dancem as árvores indolentes ao som do mesmo vento&lt;br /&gt;talvez se amem os amantes um momento&lt;br /&gt;e imutável permaneça o teu sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero abraçar a morte no mesmo abraço&lt;br /&gt;tocá-la e ver nela o traço&lt;br /&gt;do teu rosto, do teu corpo que desejo&lt;br /&gt;trocar com ela o teu beijo&lt;br /&gt;longo, lento, quente&lt;br /&gt;para sentir que ainda vivo&lt;br /&gt;no verde maresia dos teus olhos&lt;br /&gt;a afogar-me nos teus dedos, mar ardente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentir o teu calor quando morta, muda, fria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-112960033584090979?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/112960033584090979/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=112960033584090979&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112960033584090979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112960033584090979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2005/10/quando-eu-morrer.html' title='Quando eu morrer...'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-112952321379305662</id><published>2005-10-17T05:25:00.000+01:00</published><updated>2005-10-17T05:26:53.796+01:00</updated><title type='text'>messias menino</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Em ti cumprir-se-á o futuro de um mundo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;que o tempo me leva&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;e na incerteza das horas que te aguardam&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;combato vontades muito maiores que eu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Espero-te como quem escuta o fim de uma canção.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;Por ti darão frutos as árvores e os ventres&lt;br /&gt;e a voz dos pássaros trará a anunciada&lt;br /&gt;do teu nome suspenso como o riso dos anjos&lt;br /&gt;e serás o que há depois do amor.&lt;br /&gt;Espero-te como quem chora a penúltima lágrima.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-112952321379305662?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/112952321379305662/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=112952321379305662&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112952321379305662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112952321379305662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2005/10/messias-menino.html' title='messias menino'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-112953009377008572</id><published>2005-10-17T05:16:00.000+01:00</published><updated>2005-10-18T03:06:27.966+01:00</updated><title type='text'>(sem título)</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Rego a flor da tua Ausência&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;com as lágrimas esgotadas que não choro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;e bóia eterno à superfície do Vazio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;o nenúfar branco e pálido da Existência.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;A criança afoga-se no rio...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Desprezei o passado e fugi do futuro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;para cantar com voz de hoje canções de outrora&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;e conservo a candura das açucenas imaculadas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;no velho cravo maduro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;As horas que passam estão paradas...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Divina seja a vida que me invade!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Estou seca e sem seiva e sobrevivo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;a escrever em pergaminhos de Silêncio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;os imutáveis murmúrios da Saudade.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-112953009377008572?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/112953009377008572/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=112953009377008572&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112953009377008572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112953009377008572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2005/10/sem-ttulo.html' title='(sem título)'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17565420.post-112865877677447991</id><published>2005-10-17T01:12:00.001+01:00</published><updated>2009-12-14T21:37:30.440+01:00</updated><title type='text'>O teu nome</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;Escrever&lt;/span&gt;-te porque o barco é longo e eu não tenho nada para fazer. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Escrever o teu cheiro na minha pele ou ela nele ou eu em ti. Escrever a eterna descoberta que é conhecer-te, cada vez mais fundo, mais dentro, como fazer amor ou deixar que o amor nos faça. Escrever os teus pêlos na minha boca como palavras. E a minha boca na tua. E falar em encaixes mecânicos que sabes melhor que eu. Escrever que me completas e divides, atrais e repeles, perdes e ganhas, invariavelmente. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Escrever o barco onde estou e a casa que devíamos ter para que eu estivesse lá. Escrever o quanto é bom voltar atrás e ver que tudo ainda é como era dantes. E que nunca mais vai ser como já foi. Escrever que o amor não muda mas se altera. Como a gente. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Escrever-te o que não entendes e o que sabes e o que eu não sei explicar ou compreender. Escrever o homem que és e a mulher que ainda não sou. E o contrário. E o que não importa. Escrever que o importante é estar e nem é estar és tu e nem és tu. Escrever o que é confuso e complicado e louco como não saber ser tua nem deixar de o ser. A minha vida desenhada de propósito para ser intermitente. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Escrever que queria. E às vezes ainda quero. E às vezes não. Escrever dentro de ti e ler-te o sangue para saber quem sou e o que escrevi. Escrever-te o corpo e a alma e o quanto corpo e alma são iguais e indiferentes e indissociáveis. Como vida e morte. Como o início e o fim da circunferência.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;E escrever que o barco atraca. E escrever o fim do mundo. Para que não haja barcos e nem cartas e nem sobre o que escrever. Para que fique tão-somente a nossa essência trancada num orgasmo intemporal. O teu esperma em mim como o teu nome, gemido num eco milenar. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17565420-112865877677447991?l=quantospoemas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quantospoemas.blogspot.com/feeds/112865877677447991/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17565420&amp;postID=112865877677447991&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112865877677447991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17565420/posts/default/112865877677447991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quantospoemas.blogspot.com/2005/10/o-teu-nome.html' title='O teu nome'/><author><name>Mirabilis (ou Sherazade)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03497297545348131905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
